O pergaminho bíblico completo mais antigo já encontrado estava originalmente dividido em duas partes, descobre pesquisador
O pergaminho bíblico completo mais antigo já encontrado estava originalmente dividido em duas partes, descobre pesquisador Marcello Fidanzio em um estudo revolucionário que altera nossa compreensão sobre a fabricação e a transmissão dos textos sagrados na antiguidade. O Grande Rolo de Isaías (1QIsaᵃ), descoberto nas cavernas de Qumran em 1947, é o único manuscrito bíblico quase integralmente preservado daquela época, datado do século II a.C. Com 7,34 metros de comprimento, este artefato inestimável tem sido objeto de fascínio e estudo minucioso por décadas, revelando agora segredos sobre sua composição física que permaneceram ocultos por mais de dois milênios.
Durante muito tempo, estudiosos debateram sobre as variações visíveis entre a primeira metade e a segunda metade do rolo. Hipóteses anteriores sugeriam que dois escribas diferentes poderiam ter trabalhado no texto, ou que o escriba teria copiado de fontes distintas. Contudo, a nova pesquisa conduzida pelo Professor Fidanzio, da Università della Svizzera Italiana, vai além da caligrafia e foca na materialidade do objeto. Ele demonstra que as discrepâncias não são apenas textuais, mas estruturais: o artefato foi originalmente concebido como dois rolos separados que foram costurados posteriormente.
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BAIXAR EBOOK AGORAA Descoberta nas Cavernas de Qumran e o Contexto Histórico
A descoberta dos Manuscritos do Mar Morto em meados do século XX é amplamente considerada um dos maiores achados arqueológicos da era moderna. Entre os jarros de barro preservados no clima árido do deserto da Judeia, o Grande Rolo de Isaías destacou-se imediatamente por sua completude e estado de conservação. Enquanto a maioria dos outros manuscritos eram apenas fragmentos, este rolo oferecia aos estudiosos um texto contínuo, essencial para comparar com as versões massoréticas medievais que usamos hoje. Para entender a magnitude de tais textos proféticos, é útil consultar um estudo profundo sobre Isaías, que revela a complexidade teológica da obra.
O estudo de Fidanzio surge em um momento oportuno, coincidindo com o anúncio de que o Museu de Israel exibirá o manuscrito em sua totalidade pela primeira vez desde 1968. Esta exposição permitirá que o público e outros acadêmicos visualizem as evidências físicas discutidas na pesquisa. O rolo contém todos os 66 capítulos do livro atribuído ao profeta Isaías, uma figura central cujas profecias ecoam tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.
Evidências Físicas da Divisão
A pesquisa aponta para diferenças tangíveis na fabricação das folhas de pergaminho. O rolo é composto por 17 folhas de couro costuradas. A divisão ocorre precisamente entre a folha 8 e a folha 9. Segundo Fidanzio, as primeiras oito folhas apresentam padrões de desgaste e dobras radicalmente diferentes das nove folhas subsequentes. Enquanto a primeira parte exibe dobras tanto verticais quanto horizontais — indicando talvez um manuseio diferente ou armazenamento anterior — a segunda parte mostra apenas dobras verticais.
Além disso, o estado de conservação do couro varia drasticamente. Fidanzio usa uma analogia vívida: “O couro da primeira parte é um couro que viveu e experimentou… lembra a pele de uma pessoa de 80 anos. Na segunda parte, o couro é liso e sem rugas, como a pele de um adolescente”. Essa disparidade sugere histórias de vida distintas para cada metade antes de sua unificação. Esse tipo de detalhe enriquece nossa compreensão sobre curiosidades bíblicas e a materialidade da fé antiga.
Outra evidência crucial é a formatação das colunas. A folha 8, que encerra a primeira seção, possui apenas duas colunas de texto e foi cortada abruptamente após a segunda coluna. Em contraste, a maioria das outras folhas do rolo contém três ou quatro colunas. Isso indica que a folha foi fisicamente adaptada para ser unida à próxima seção, funcionando como um ponto de sutura entre dois documentos que existiam independentemente.
Implicações para a Compreensão do Livro de Isaías
A divisão física descoberta no pergaminho levanta questões fascinantes sobre a composição literária do livro de Isaías. Na erudição bíblica moderna, é comum dividir o livro em “Proto-Isaías” (capítulos 1-39) e “Deutero-Isaías” (capítulos 40-66), atribuindo-os a autores e períodos históricos diferentes. Curiosamente, a divisão física no Grande Rolo de Isaías ocorre entre os capítulos 33 e 34. Embora não coincida perfeitamente com a divisão crítica moderna, ela sugere que, na antiguidade, o livro já era percebido ou circulava em volumes menores que foram posteriormente compilados.
Essa prática de compilação não diminui a autoridade do texto; pelo contrário, demonstra o cuidado da comunidade em preservar e unificar a tradição profética. Entender esse processo é fundamental para quem busca saber como entender a Bíblia em sua profundidade histórica e canônica. O rolo atua como uma testemunha silenciosa da transição de rolos menores para os grandes livros proféticos que conhecemos hoje.
Um Texto Vivo e em Evolução
Um dos aspectos mais cativantes da pesquisa de Fidanzio é a ideia de que o pergaminho era um “texto vivo”. As centenas de correções, inserções e reparos na primeira metade do rolo mostram que ele foi intensamente utilizado, lido e até mesmo atualizado por gerações de escribas e leitores. Diferente de um livro impresso moderno, que é estático, este manuscrito interagia com sua comunidade. As correções ortográficas, por exemplo, visavam facilitar a leitura para judeus que, naquela época, falavam aramaico e poderiam ter dificuldades com o hebraico bíblico clássico.
Portanto, o escriba não era apenas um copista mecânico, mas um intérprete que garantia a acessibilidade do texto sagrado. Isso nos lembra a importância de analisar as profecias bíblicas não apenas como previsões futuras, mas como palavras vivas que precisavam ser compreendidas por seus contemporâneos. A presença de remendos toscos na primeira parte indica que a comunidade valorizava tanto aquele objeto sagrado que preferia repará-lo repetidamente a descartá-lo.
Datação e Tecnologia
Para confirmar as teorias sobre a origem do pergaminho, foram utilizadas tecnologias avançadas, incluindo a datação por radiocarbono e a paleografia digital (análise da escrita por inteligência artificial). Os resultados situam a criação do manuscrito entre 180 e 100 a.C. Embora a datação por carbono-14 não tenha mostrado uma diferença de séculos entre as duas metades, a margem de erro da técnica permite que elas tenham sido criadas com décadas de diferença, o que é consistente com a análise física do couro.
Ademais, essas técnicas modernas reforçam a confiabilidade histórica das Escrituras. Para aqueles que questionam se a Bíblia é realmente a Palavra de Deus, a arqueologia fornece evidências robustas de que o texto foi transmitido com fidelidade e reverência extremas ao longo dos milênios. A ciência, neste caso, atua como uma aliada da fé, iluminando o contexto humano da preservação divina.
Conclusão e Legado
Em suma, a descoberta de que o Grande Rolo de Isaías foi formado pela união de dois documentos distintos enriquece nossa visão sobre o período do Segundo Templo. Ela nos mostra uma comunidade em Qumran dedicada a preservar, estudar e unificar suas tradições sagradas. O trabalho do Professor Fidanzio, que será publicado no livro “O Grande Pergaminho de Isaías: Uma Voz do Deserto”, abre novas portas para a compreensão da história do livro mais lido da humanidade.
Por conseguinte, ao olharmos para este antigo pergaminho, não vemos apenas couro e tinta, mas a fé tangível de homens e mulheres que dedicaram suas vidas à Palavra. Seja estudando a história de Neemias ou a vida de outros personagens bíblicos, a arqueologia continua a nos fornecer peças fundamentais desse grande quebra-cabeça. O Grande Rolo de Isaías permanece como um monumento à durabilidade e à relevância das Escrituras Sagradas.
Para expandir seu conhecimento sobre o contexto histórico e as figuras mencionadas, recomendamos a leitura sobre quem foi Nabucodonosor, uma figura proeminente na era profética, e também um resumo do livro de Gênesis, que estabelece as bases da aliança bíblica. Além disso, entender o que a Bíblia diz sobre a preservação de seus textos é essencial para qualquer estudante. Você também pode se interessar por quem foi Noé e a importância das alianças antigas, ou aprofundar-se em um estudo bíblico sistemático.
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QUERO MEU EBOOKCréditos das Imagens e Informações: Este artigo baseia-se em pesquisas reportadas pelo The Times of Israel e informações da Revista Galileu. As imagens são cortesia do Projeto de Publicação das Cavernas de Qumran, Università della Svizzera Italiana e Flash90.

