Conheça as 3 hipóteses de quem eram os “filhos de Deus” e as “filhas dos homens” em Gênesis 6
A identidade dos “filhos de Deus” e das “filhas dos homens” em Gênesis 6 desafia estudantes da Bíblia há séculos. O texto sagrado narra um momento crítico na história: quando a humanidade começou a multiplicar-se, os “filhos de Deus” notaram a beleza das “filhas dos homens” e escolheram esposas entre elas.
Este evento não aparece no texto por acaso; ele antecede imediatamente o relato do Dilúvio, o que indica que essa união específica impulsionou a corrupção moral da humanidade. Para compreendermos corretamente quem eram esses grupos, precisamos analisar o contexto teológico, histórico e linguístico com cautela e evitar especulações que contradizem o restante da revelação bíblica.
Ao longo dos séculos, estudiosos propuseram diversas teorias para explicar essa passagem. Alguns apelam para o sobrenatural e envolvem anjos, enquanto outros buscam explicações sociopolíticas. No entanto, a teologia bíblica sustenta melhor a interpretação que foca na distinção espiritual entre duas linhagens humanas.
Neste artigo, exploraremos as três principais visões sobre o assunto e analisaremos seus pontos fortes e fracos à luz da Bíblia para chegarmos a uma conclusão sólida sobre os acontecimentos nos dias de Noé.
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A interpretação dos anjos caídos
Inicialmente, muitos leitores encontram a teoria de que os “filhos de Deus” seriam anjos caídos que assumiram forma humana para coabitar com mulheres. Essa visão baseia-se no fato de que o Antigo Testamento, especificamente o livro de Jó (1:6; 2:1; 38:7), usa a expressão hebraica bene ha’elohim para referir-se a seres celestiais.
Segundo essa linha de pensamento, essa união antinatural gerou uma raça híbrida de gigantes, os Nephilim. Contudo, essa interpretação enfrenta sérios problemas teológicos quando a confrontamos com o Novo Testamento.
O próprio Jesus afirmou categoricamente em Mateus 22:30 que os anjos “não casam nem se dão em casamento”, mas vivem como os anjos no céu. Se os anjos, por natureza, são seres espirituais sem corpo físico reprodutivo, afirmar que eles mantiveram relações sexuais com seres humanos soa incoerente biológica e teologicamente.
Além disso, a ideia de seres espirituais que cruzam com humanos assemelha-se mais a mitologias pagãs do que à sobriedade das Escrituras. Para entender melhor a natureza desses seres e evitar confusões, vale a pena consultar um estudo bíblico sobre quem são os anjos e demônios.
A teoria dos governantes e nobres
Em segundo lugar, existe a interpretação de que “filhos de Deus” descreve governantes, magistrados ou membros da aristocracia antiga, enquanto “filhas dos homens” seriam mulheres da plebe ou classes inferiores.
Essa visão tenta resolver o problema biológico da teoria dos anjos e sugere que o pecado residia na poligamia desenfreada de reis tirânicos que tomavam mulheres à força. De fato, o Salmo 82:6 chama juízes humanos de “deuses” (elohim) no sentido de representantes da autoridade divina na terra.
Entretanto, essa teoria falha ao não explicar por que a união entre classes sociais diferentes causaria um julgamento tão severo e universal como o Dilúvio. A Bíblia raramente foca em luta de classes como motivo primário para a destruição global; as Escrituras quase sempre apontam a idolatria e a corrupção moral do coração humano como causas centrais.
Não encontramos base escriturística sólida para sustentar que Gênesis 6 trata de uma distinção de castas sociais. Ao estudarmos a biografia de Jesus Cristo, vemos que Ele condenou o pecado no coração do homem, independentemente de sua posição social, e reafirmou que o problema humano é essencialmente espiritual.
A linhagem de Sete e a linhagem de Caim
Por fim, teólogos conservadores aceitam amplamente a interpretação que identifica os “filhos de Deus” como a linhagem piedosa de Sete, e as “filhas dos homens” como a linhagem ímpia de Caim.
Logo após a queda de Adão, a humanidade dividiu-se em dois grupos espirituais distintos:
- Linhagem de Caim: Após assassinar seu irmão, Caim afastou-se da presença do Senhor e fundou uma civilização baseada em conquistas humanas, força bruta e indiferença para com Deus.
- Linhagem de Sete: Sete foi o filho que Deus deu para substituir Abel. A Bíblia relata que, nos dias de seu filho Enos, “começou-se a invocar o nome do Senhor” (Gênesis 4:26), o que marcou o início de uma comunidade de adoração.
Dessa forma, o temor a Deus caracterizava os descendentes de Sete, que preservavam a promessa de redenção. Eles representavam, no sentido espiritual e pactual, os “filhos de Deus”. Por outro lado, a rebeldia e o mundanismo marcavam a linhagem de Caim.
Quando o texto diz que os filhos de Deus viram as filhas dos homens, ele descreve o momento trágico em que a separação espiritual se rompeu. Homens que deveriam manter a pureza da fé deixaram-se levar pela beleza exterior das mulheres da linhagem ímpia e ignoraram o caráter espiritual e a aliança com o Criador. Você pode ler mais sobre a origem desse conflito inicial no esboço de pregação sobre Caim e Abel.
As consequências dessa união proibida
Consequentemente, o casamento misto entre crentes e descrentes resultou em uma apostasia generalizada. Essa união apagou completamente a distinção entre o povo de Deus e o mundo. Quando os justos se unem aos ímpios em jugo desigual, a história mostra que a impiedade tende a corromper a piedade, e não o contrário.
Isso explica por que Deus decidiu trazer o juízo através do Dilúvio: a corrupção atingiu a totalidade da raça humana, exceto a família de um homem. Para saber mais sobre esse remanescente fiel, veja o artigo sobre quem foi Noé.
Os principais pontos dessa tragédia espiritual foram:
- Apostasia Espiritual: A mistura das linhagens causou o abandono da adoração verdadeira e do culto a Deus.
- Jugo Desigual: O princípio de não se prender a um jugo desigual com incrédulos (2 Coríntios 6:14) encontra suas raízes históricas aqui.
- Corrupção Moral: A influência da linhagem de Caim, que incluía assassinos e polígamos como Lameque, contaminou a linhagem santa de Sete.
Portanto, o termo “filhos de Deus” nesta passagem não denota natureza angelical, mas sim um relacionamento de aliança com o Criador. O Novo Testamento confirma essa terminologia e chama de “filhos de Deus” aqueles que o Espírito guia (Romanos 8:14).
Um erro Fatal
O erro fatal consistiu em priorizar a atração física em detrimento da fidelidade espiritual, um tema que a Bíblia aborda recorrentemente e que é vital para a família cristã hoje.
Além disso, essa interpretação remove a necessidade de especulações mitológicas e mantém o foco na responsabilidade humana. Monstros híbridos não causaram o mal no mundo, mas sim o coração pecaminoso do homem que rejeitou a Deus.
Isso nos leva a refletir sobre questões atuais, como o relacionamento amoroso e a santidade. Muitos jovens perguntam: posso namorar alguém que não é cristão? A resposta trágica de Gênesis 6 serve como um alerta solene sobre os perigos espirituais dessa união.
Ademais, ao compreendermos que a maldade humana causou o juízo, entendemos melhor a justiça divina. Deus não destruiu a terra por capricho, mas deu uma resposta necessária à depravação total que ameaçava extinguir qualquer vestígio de piedade na terra. Essa reflexão ajuda a responder questões difíceis sobre por que Deus permite o sofrimento e o mal no mundo.
Conclusão
Em suma, os “filhos de Deus” eram os descendentes da linhagem piedosa de Sete, enquanto as “filhas dos homens” pertenciam à linhagem mundana de Caim. O pecado que Gênesis 6 descreve foi a união ilícita entre o povo da aliança e o mundo incrédulo, o que resultou em apostasia total e no consequente julgamento do Dilúvio.
Essa passagem nos ensina a importância vital de mantermos nossa integridade espiritual e a santidade em nossos relacionamentos, especialmente no casamento. Ao rejeitarmos teorias sensacionalistas sobre anjos e focarmos na mensagem central de obediência e separação do pecado, honramos a consistência das Escrituras.
Que possamos aprender com o passado para vivermos como verdadeiros filhos de Deus no presente, buscando conhecer profundamente a Palavra desde o princípio, como visto em Gênesis 1 explicado.
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