Descubra o que a Bíblia diz sobre finanças, fé e a prioridade correta para Deus.
Devo pagar dívida antes do dízimo? Entenda a visão bíblica sobre este dilema que aflige inúmeros cristãos em todo o mundo. Inegavelmente, a gestão financeira à luz das Escrituras é um tema complexo, que envolve não apenas números, mas também fé, obediência e integridade moral.
Primeiramente, é crucial reconhecer que a Bíblia oferece princípios sólidos tanto sobre a importância de honrar a Deus com os nossos bens quanto sobre a responsabilidade inegociável de pagar o que devemos aos homens. Portanto, ao nos depararmos com a escassez de recursos, surge a dúvida angustiante: quem deve receber primeiro, o credor ou a casa do Tesouro?
Sobretudo, para compreender essa questão com profundidade, precisamos analisar o conceito de dízimo não como uma taxa fria, mas como um princípio de primícias. De fato, ao estudar o que a Bíblia diz sobre o dízimo uma explicação completa revela que este ato é um reconhecimento da soberania de Deus sobre todas as coisas.

Todavia, a realidade do endividamento traz um peso emocional e espiritual que não pode ser ignorado. Afinal, a Palavra de Deus também nos alerta que “o rico domina sobre os pobres e o que toma emprestado é servo do que empresta” (Provérbios 22:7). Consequentemente, o cristão endividado encontra-se em uma batalha entre a liberdade espiritual e a escravidão financeira.
“Honra ao Senhor com os teus bens, e com a primeira parte de todos os teus ganhos; E se encherão os teus celeiros abundantemente, e transbordarão de mosto os teus lagares.”
(Provérbios 3:9-10)
A Natureza da Dívida e a Integridade Cristã
Em segundo lugar, é fundamental abordar a natureza da dívida. A Bíblia não proíbe estritamente o empréstimo, mas certamente adverte sobre os seus perigos. O Salmo 37:21 declara que “o ímpio toma emprestado, e não paga; mas o justo se compadece e dá”. Ou seja, o ato de não pagar uma dívida contraída é associado à impiedade.
Dessa forma, a integridade do testemunho cristão está diretamente ligada à sua palavra e ao cumprimento de suas obrigações financeiras. Por conseguinte, se um cristão deixa de pagar suas contas básicas ou empréstimos para entregar o dízimo, ele pode, inadvertidamente, estar usando o dinheiro que legalmente pertence ao seu credor para ofertar a Deus.
Nesse contexto, surge uma reflexão ética profunda: Deus aceitaria uma oferta que é fruto do calote alheio? Por outro lado, muitos argumentam que o dízimo é a “bênção que protege o restante” e que, ao deixar de dizimar, a pessoa estaria fechando as portas para a provisão sobrenatural que poderia justamente sanar as dívidas. Assim sendo, o equilíbrio entre a fidelidade e a responsabilidade torna-se o ponto central desta discussão.
- Prioridade Moral: O dever de cumprir com a palavra empenhada.
- Prioridade Espiritual: O desejo de honrar a Deus com as primícias.
- Sabedoria Prática: A necessidade de organização e corte de gastos supérfluos.

Fé, Medo e a Gestão da Escassez
Ademais, é inegável que o medo paralisa muitas decisões financeiras. Quando olhamos para o saldo bancário negativo, a lógica humana grita que entregar 10% de qualquer renda é loucura. Entretanto, a lógica da fé opera de maneira distinta. A história bíblica da viúva de Sarepta, que entregou sua última refeição ao profeta Elias, ilustra a fé radical que confia na provisão divina mesmo diante da morte iminente.
Similarmente, muitos cristãos testemunham que, ao decidirem aprender como ser dizimista fiel mesmo ganhando pouco, experimentaram uma organização sobrenatural de suas finanças, onde o pouco com Deus tornou-se muito.
Contudo, isso não deve ser interpretado como uma fórmula mágica de prosperidade, mas sim como um exercício de confiança. Por isso, a atitude do coração é mais valiosa do que o valor monetário. Se o pagamento do dízimo é feito com pesar, medo ou por barganha, ele perde seu valor espiritual. Da mesma forma, se o pagamento da dívida é feito com murmuração e falta de gratidão pelo que se tem, a bênção é retida. Em suma, Deus olha para a intenção do adorador.
“A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei.”
(Romanos 13:8)
Caminhos Possíveis: Sabedoria e Direção
Diante desse impasse, não existe uma resposta única que sirva para todos os casos, pois cada situação financeira possui suas particularidades. No entanto, a sabedoria bíblica nos orienta a buscar conselho e a agir com prudência. Por exemplo, em situações de extrema necessidade, onde a subsistência da família está em risco (alimento, moradia), a misericórdia de Deus é evidente. Deus não deseja que seus filhos passem fome para cumprir um ritual religioso. Jesus ensinou que a misericórdia é maior que o sacrifício.
Posteriormente, ao estabilizar o básico, o cristão deve traçar um plano rigoroso para a quitação das dívidas. Isso pode envolver a renegociação com credores, a venda de bens não essenciais ou a busca por renda extra. Durante esse processo, a comunicação com a liderança pastoral é vital.
Muitos pastores aconselham seus membros a ofertarem proporcionalmente ou conforme o propósito do coração enquanto saneiam suas dívidas, mantendo assim a chama da generosidade acesa sem comprometer a honra do nome de Cristo perante os credores.
Além disso, é essencial diferenciar dívidas de consumo fútil de dívidas de sobrevivência. Se a dívida foi gerada por descontrole e consumismo, o arrependimento e a mudança de estilo de vida são os primeiros passos antes de qualquer oferta. A mordomia cristã exige que sejamos bons administradores dos recursos que Deus coloca em nossas mãos. Portanto, gastar mais do que se ganha é, em última análise, um problema espiritual de descontentamento.

A Soberania de Deus e o Futuro
Finalmente, a decisão de pagar a dívida ou o dízimo deve ser tomada em oração, buscando a paz que excede todo o entendimento. Deus é capaz de multiplicar recursos, abrir portas de emprego e conceder sabedoria para negociações. O importante é não abandonar o princípio da generosidade. Mesmo que não seja possível contribuir com os 10% integrais neste momento de crise aguda, manter um coração doador é essencial para não deixar o materialismo endurecer a alma.
Em conclusão, a jornada para a liberdade financeira é pavimentada com decisões difíceis, renúncias e muita fé. Seja qual for a estratégia adotada — pagar as dívidas agressivamente para voltar a dizimar plenamente o mais rápido possível, ou manter o dízimo pela fé enquanto se renegocia as dívidas a certeza que deve permear o coração do crente é que o Senhor proverá. Ele conhece nossas necessidades, nossas fraquezas e, acima de tudo, o nosso desejo sincero de obedecer e viver uma vida digna e honrada diante d’Ele e dos homens.

