E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que, pela sua palavra, hão de crer em mim; para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu, em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. João 17:20-21.
Neste Estudo Bíblico sobre Oração: A Oração Sacerdotal de Jesus por Nós, temos o privilégio de entrar no “Santo dos Santos” do Novo Testamento. O capítulo 17 de João nos permite ouvir a mais longa oração registrada de Jesus, proferida momentos antes de Sua crucificação.
De fato, nesta prece, o coração do Salvador é derramado diante do Pai, revelando Suas prioridades mais profundas não apenas para os discípulos daquela época, mas para todos nós que creríamos n’Ele ao longo da história.
Pai de Glória, nós Te agradecemos pelo acesso que temos ao Teu coração através do coração de Jesus. Ao estudarmos esta oração sagrada, pedimos que o Teu Espírito nos dê um profundo senso de segurança, propósito e amor. Que possamos compreender, ainda que em parte, o quanto somos amados e guardados por esta intercessão que ecoa pela eternidade. Abre nosso entendimento, Senhor. Em nome de Jesus, amém.
I. Introdução: O Coração do Salvador Revelado
Primeiramente, é fundamental entendermos o contexto desta oração. Jesus acabara de ter a Última Ceia com Seus discípulos e estava a caminho do Getsêmani. Sua hora havia chegado. Em um momento de imensa pressão, Ele não focou em Si mesmo, mas levantou Seus olhos aos céus e começou a interceder. Em outras palavras, a oração de João 17 é o testamento final de Jesus, a expressão máxima de Seu amor como nosso Sumo Sacerdote.
Dessa forma, a base desta oração é o relacionamento perfeito entre o Pai e o Filho. É uma conversa íntima que nos revela os desejos de Deus para Sua Igreja. Assim sendo, estudar esta oração não é apenas um exercício teológico; é descobrir o que está no topo da lista de prioridades de Jesus para a nossa vida e para a nossa comunidade de fé.
Para reflexão: Saber que Jesus orou especificamente por você, há dois mil anos, muda a forma como você se vê? Como isso impacta sua sensação de segurança e propósito?
II. A Natureza da Oração de Jesus
De fato, a oração de Jesus em João 17 é um modelo perfeito, contendo elementos que a tornam a mais sublime de todas as intercessões. Ela é profundamente relacional, proposital e centrada em Deus.
Uma Oração Fundamentada na Obediência
Antes de mais nada, Jesus ora a partir de uma posição de missão cumprida. Ele diz ao Pai: “Eu te glorifiquei na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” (v. 4). Sua ousadia para pedir vem de Sua obediência perfeita. Isso nos ensina que uma vida de obediência, por sua vez, fortalece a nossa confiança e autoridade na oração.
Uma Oração Primariamente Intercessória
Além disso, embora a oração comece com um pedido por Sua própria glorificação, essa glorificação tem um propósito redentor. A esmagadora maioria da oração, contudo, é um ato de intercessão, o ato de orar por outros. Ele ora por Seus discípulos imediatos e, em seguida, expande Seu alcance para orar por toda a Igreja futura, mostrando Seu coração pastoral.
Uma Oração Centrada na Verdade da Palavra
Finalmente, Jesus repetidamente fundamenta Seus pedidos na Palavra que Ele entregou. “Dei-lhes a tua palavra” (v. 14) e “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (v. 17). A oração de Jesus não se baseia em pensamentos positivos, mas na rocha sólida da revelação de Deus, que é a Palavra de Deus como espada viva, eficaz e penetrante.
III. Os Pedidos Específicos de Jesus por Nós
Quando Jesus expande Sua oração no versículo 20 para incluir “aqueles que… hão de crer em mim”, Ele está falando de nós. Seus pedidos, portanto, são promessas e prioridades divinas para a nossa vida.
Pela Nossa Proteção do Maligno
Primeiramente, Jesus faz um pedido realista: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (v. 15). Ele sabia que viveríamos em um ambiente hostil. Consequentemente, Sua principal oração por nós não foi por uma vida fácil, mas por proteção espiritual contra o maligno e seu sistema.
Pela Nossa Santificação na Verdade
Adicionalmente, Jesus orou por nossa separação para Deus. “Santifica-os na verdade” (v. 17). A santificação é o processo de sermos feitos mais parecidos com Cristo, e o agente desse processo é a Verdade, a Palavra de Deus. Em suma, Jesus, que é o caminho, a verdade e a vida, orou para que fôssemos moldados por essa mesma verdade.
Pela Nossa Unidade Profunda
Outrossim, o pedido mais repetido e enfático de Jesus por nós é pela unidade: “para que todos sejam um… para que sejam perfeitos em unidade” (v. 21, 23). Esta não é uma mera unidade organizacional, mas uma unidade relacional profunda que espelha a própria unidade da Trindade. O propósito dessa oração em unidade é evangelístico: “para que o mundo creia”.
Pela Nossa Participação na Sua Glória
Por fim, a oração de Jesus culmina com o desejo de ter-nos com Ele na eternidade. “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória” (v. 24). O destino final para o qual Ele nos chama é a comunhão face a face com Ele, participando da Sua glória e da vida eterna.
IV. O Impacto Transformador Desta Oração
Por conseguinte, meditar na oração sacerdotal de Jesus deve produzir transformações profundas em nossa fé e em nossa maneira de viver.
Gera Segurança e Confiança Inabalável
Saber que o próprio Filho de Deus intercedeu por nossa proteção e santificação nos dá uma segurança que nenhuma circunstância pode abalar. Somos guardados por uma oração que nunca falha.
Define o Propósito da Igreja
A oração de Jesus nos dá nossa missão. Não estamos aqui para construir nossos próprios reinos, mas para viver em unidade como o Corpo de Cristo, para que o mundo creia. Isso nos desafia a perguntar qual igreja é a verdadeira: aquela que vive essa unidade. A unidade, portanto, é a nossa maior ferramenta para a grande comissão.
V. Conclusão: Vivendo a Resposta à Oração de Jesus
Em resumo, a oração sacerdotal de Jesus em João 17 é a mais profunda revelação do coração de nosso Salvador por Sua Igreja. Vimos que Ele ora a partir da obediência, intercedendo por nós com foco na Palavra. Seus grandes pedidos por nós, ademais, foram por proteção, santificação, unidade e, finalmente, glorificação eterna.
O desafio final, portanto, não é apenas admirar esta bela oração, mas nos enxergarmos como a resposta viva a ela. Somos chamados a viver de tal maneira que a unidade pela qual Jesus orou se torne visível em nossas igrejas, em nossos relacionamentos e em nosso testemunho, para que o mundo, de fato, creia.
Desafio Prático:
Durante esta semana, concentre suas orações na unidade de sua igreja local. Ore especificamente pelos seus pastores, líderes e pelos membros, pedindo a Deus que realize a oração de Jesus em João 17:21 em sua comunidade. Em vez de criticar as falhas, interceda pela unidade que glorifica a Cristo.
Oração Final:
Senhor Jesus, nosso Sumo Sacerdote, nós nos maravilhamos ao ler as palavras que o Senhor orou por nós. Obrigado por nos amar tanto, a ponto de nos incluir em Teu último grande clamor ao Pai. Perdoa-nos por vivermos de forma tão aquém da unidade e santidade pelas quais o Senhor orou. Capacita-nos, pelo Teu Espírito, a sermos a resposta viva da Tua oração, para a glória do Pai. Amém.
Teste de Aprendizagem
1. Em qual capítulo do Evangelho de João se encontra a Oração Sacerdotal de Jesus?
a) João 3
b) João 10
c) João 17
d) João 21
2. Para quem Jesus ora no trecho de João 17:20-26?
a) Apenas por Si mesmo.
b) Apenas pelos 12 apóstolos.
c) Apenas pelo povo de Israel.
d) Por todos os futuros crentes, incluindo nós.
3. Qual é o principal pedido que Jesus faz por todos os crentes?
a) Que eles sejam ricos e prósperos.
b) Que eles sejam um, em unidade.
c) Que eles nunca enfrentem perseguição.
d) Que eles realizem milagres maiores que os d’Ele.
4. Qual é o propósito evangelístico da unidade dos crentes, segundo a oração?
a) Para que a igreja se torne uma potência política.
b) Para que o mundo creia que o Pai enviou Jesus.
c) Para que os crentes possam viver sem problemas.
d) Para provar que são melhores que os outros.
5. Ao orar por Seus discípulos, Jesus pede ao Pai para:
a) Tirá-los do mundo para que não sofram.
b) Livrá-los do mal (maligno) enquanto estão no mundo.
c) Dar-lhes poder para governar o mundo.
d) Torná-los imunes a doenças.
6. Qual é o agente da santificação dos crentes, segundo a oração de Jesus?
a) O esforço pessoal e a disciplina.
b) A frequência aos cultos.
c) A Verdade, que é a Palavra de Deus.
d) O jejum e a abstinência.
7. A oração de Jesus é chamada de “Sacerdotal” porque:
a) Foi feita dentro do Templo por um sacerdote.
b) É uma oração de intercessão, papel de um sacerdote.
c) Foi feita apenas para os sacerdotes da época.
d) Usa uma linguagem muito complexa e ritualística.
8. Qual é o desejo final de Jesus para nós, expresso no final de Sua oração (v. 24)?
a) Que construamos grandes catedrais em Sua honra.
b) Que estejamos com Ele na eternidade para ver Sua glória.
c) Que decifremos todos os mistérios da Bíblia.
d) Que vivamos por mais de 100 anos na Terra.
9. O estudo descreve a oração de João 17 como:
a) Uma oração de lamentação e tristeza.
b) O “Santo dos Santos” do Novo Testamento.
c) Um exemplo de como orar por bens materiais.
d) A oração mais curta de Jesus.
10. A oração de Jesus por proteção mostra que a vida cristã será:
a) Vivida em um mundo hostil, necessitando da guarda de Deus.
b) Uma jornada fácil e sem oposição.
c) Isolada do contato com pessoas não-crentes.
d) Focada em adquirir segurança financeira.
11. A unidade pela qual Jesus ora é comparada à unidade:
a) Do exército romano.
b) De um time esportivo campeão.
c) Da nação de Israel sob o rei Davi.
d) Do próprio Pai com o Filho (a Trindade).
12. Saber que Jesus orou por nós deve gerar, acima de tudo:
a) Orgulho espiritual.
b) Uma sensação de superioridade.
c) Segurança, confiança e um senso de propósito.
d) Acomodação, pois Jesus já fez tudo.

