O que falar sobre dízimos e ofertas? (33 Explicações Bíblicas)
Abordar o tema dízimos e ofertas é, primeiramente, uma oportunidade de ensinar sobre adoração, confiança e mordomia. Longe de ser um tabu, a Bíblia fala abertamente sobre finanças. Contudo, é crucial apresentar o assunto com equilíbrio, graça e fidelidade às Escrituras. De fato, o Novo Testamento, especialmente, foca mais na atitude do coração do que na obrigatoriedade percentual.
Portanto, esta lista oferece 33 pontos de partida. Cada um deles, aliás, vem com uma explicação bíblica para ajudar a construir uma mensagem clara e edificante. O objetivo, assim sendo, é mostrar que a contribuição é um privilégio espiritual e uma expressão de nossa fé em Deus como nosso Provedor.
O Fundamento Bíblico (Antigo Testamento)
O Antigo Testamento, antes de mais nada, estabelece os princípios de honrar a Deus com nossos bens.
1. O Dízimo Pertence a Deus
Levítico 27:30
“Também todos os dízimos da terra, quer dos cereais, quer do fruto das árvores, pertencem ao Senhor; santos são ao Senhor.”
A explicação aqui é teológica: o dízimo não é algo que *damos*, mas algo que *devolvemos*. Ele, fundamentalmente, já pertence a Deus. Isso, portanto, estabelece o princípio da mordomia: tudo o que temos vem Dele.
2. O Propósito do Dízimo: Sustento
Malaquias 3:10a
“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa…”
Este versículo é claro sobre o propósito prático: o dízimo financiava o ministério (os levitas e sacerdotes) e o funcionamento do Templo. Da mesma forma, hoje, a contribuição sustenta a obra da igreja local e o avanço do evangelho.
3. Honrando a Deus com as Primícias
Provérbios 3:9
“Honra ao Senhor com os teus bens, e com a primeira parte de todos os teus ganhos.”
A contribuição, aqui, é vista como um ato de honra. “Primícias” (a primeira parte), ademais, indica que Deus não deve receber nossas sobras, mas sim o primeiro e melhor lugar em nossas finanças, demonstrando assim nossa prioridade Nele.
4. O Dízimo como Lembrete da Fonte
Deuteronômio 14:23
“E, perante o Senhor teu Deus… comerás os dízimos… para que aprendas a temer ao Senhor teu Deus todos os dias.”
Curiosamente, além do sustento levítico, o dízimo também tinha um propósito devocional. Era um ato regular que ensinava o povo a “temer” (reverenciar e confiar) em Deus continuamente, lembrando que Ele era a fonte de toda a provisão.
5. O Desafio da Prova de Deus
Malaquias 3:10b
“…e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança.”
Este é o único lugar onde Deus explicitamente desafia o povo a “provarem-no”. A fidelidade na contribuição, portanto, é apresentada como um ato de fé que ativa a generosidade sobrenatural de Deus.
6. A Relação entre Melquisedeque e o Dízimo
Gênesis 14:20
“…E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo.”
É importante notar que Abraão deu o dízimo a Melquisedeque *antes* da Lei de Moisés ser entregue. Isso, consequentemente, sugere que o dízimo é um princípio de adoração mais antigo e universal do que a própria Lei Mosaica. (Veja mais em Hebreus 7).
A Perspectiva de Jesus (Evangelhos)
Jesus, embora tenha cumprido a Lei, focou intensamente na atitude e na motivação por trás da oferta.
7. A Crítica à Hipocrisia (Justiça vs. Ritual)
Mateus 23:23
“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas.”
Jesus, de fato, não condenou o dízimo. Ele condenou a prática do dízimo como um ritual vazio, desacompanhado de justiça e misericórdia. Ele afirma que ambos (o dízimo e a justiça) deveriam ser praticados juntos.
8. O Princípio da Generosidade Recíproca
Lucas 6:38
“Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos darão; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo.”
Embora não mencione o dízimo, Jesus estabelece aqui um princípio do Reino: a generosidade é a semente da bênção. Deus responde à nossa liberalidade com uma liberalidade ainda maior. É um princípio de semeadura espiritual e material.
9. O Valor do Sacrifício, Não da Quantidade
Marcos 12:43-44
“E, chamando a si os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do tesouro; porque todos ali deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento.”
Para Jesus, o valor da oferta não está no montante, mas na proporção do sacrifício. A oferta da viúva pobre, embora pequena, valia mais aos olhos de Deus porque representava 100% de sua confiança Nele.
10. Onde Está seu Coração?
Mateus 6:21
“Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.”
Jesus ensina que nossas finanças são um diagnóstico do nosso coração. Onde investimos nosso dinheiro, afinal, revela o que realmente adoramos. Portanto, a contribuição não é apenas um dever; é uma forma de direcionar nosso coração para Deus.
11. Não se Pode Servir a Deus e ao Dinheiro
Mateus 6:24
“Ninguém pode servir a dois senhores; … Não podeis servir a Deus e a Mamom [dinheiro].”
Falar sobre ofertas é, também, falar sobre senhorio. Jesus deixa claro que não podemos ser neutros em relação ao dinheiro; ou o usamos como ferramenta para servir a Deus, ou nos tornamos escravos dele. A contribuição, assim, é uma declaração de que Deus é nosso único Senhor.
Os Princípios no Novo Testamento (As Epístolas)
O dízimo no Novo Testamento é menos focado na porcentagem e mais na generosidade sacrificial, como ensinou o Apóstolo Paulo.
12. A Atitude da Oferta: Alegria
2 Coríntios 9:7
“Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.”
Esta é, talvez, a principal instrução do Novo Testamento sobre a oferta. A motivação importa mais que a quantia. Deus se deleita, portanto, não com a oferta dada por obrigação (“necessidade”) ou pesar (“tristeza”), mas com o coração que encontra alegria em ofertar.
13. O Princípio da Semeadura: Colheita Abundante
2 Coríntios 9:6
“E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância também ceifará.”
Paulo usa uma analogia agrícola. Nossa contribuição é como uma semente. Se formos mesquinhos na semeadura (oferta), a colheita (bênçãos espirituais e, por vezes, materiais) será igualmente limitada. A generosidade, por outro lado, gera uma colheita abundante.
14. A Graça da Contribuição
2 Coríntios 8:7
“Portanto, assim como em tudo abundais em fé, e em palavra, e em ciência, e em toda a diligência, e em vosso amor para conosco, assim também abundeis nesta graça [da contribuição].”
Paulo notavelmente chama a contribuição de “graça”. Isso significa que dar não é apenas um dever, mas uma capacitação divina, um privilégio dado por Deus para participarmos de Sua obra. É uma área onde devemos buscar crescer, assim como crescemos na fé ou no amor.
15. O Modelo de Cristo: A Maior Oferta
2 Coríntios 8:9
“Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis.”
A motivação máxima para nossa generosidade é, de fato, a própria generosidade de Cristo. Ele, sendo rico em glória, se esvaziou e se fez pobre (encarnou e morreu), para que nós, através de Sua pobreza sacrificial, fôssemos feitos ricos espiritualmente. A nossa oferta, portanto, é uma resposta ao que Ele fez.
16. Contribuição Planejada e Regular
1 Coríntios 16:2
“No primeiro dia da semana [Domingo], cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar.”
Aqui, Paulo estabelece princípios práticos: a contribuição deve ser regular (“primeiro dia da semana”), pessoal (“cada um de vós”) e proporcional (“conforme a sua prosperidade”). Isso, consequentemente, remove a impulsividade e a transforma em uma disciplina espiritual planejada.
17. O Propósito: Suprir os Santos
2 Coríntios 9:12
“Porque a administração deste serviço, não só supre as necessidades dos santos, mas também é abundante em muitas graças, que se dão a Deus.”
A oferta na igreja primitiva tinha dois destinos claros: suprir as necessidades materiais dos crentes em dificuldades (ajuda social) e sustentar os obreiros do evangelho (ministério). Vemos, assim, que a contribuição tem um impacto real e prático na vida da comunidade.
18. O Resultado: Glória a Deus
2 Coríntios 9:13
“Visto como, na prova desta administração, glorificam a Deus pela submissão que confessais quanto ao evangelho de Cristo, e pela liberalidade de vossos dons para com eles, e para com todos;”
No final das contas, o resultado da generosidade não é apenas o alívio humano, mas a glória de Deus. Quando o mundo vê a igreja cuidando uns dos outros, Deus é glorificado. Nossa oferta, portanto, torna-se um testemunho poderoso da nossa submissão ao evangelho.
19. O Sustento dos Pregadores
1 Coríntios 9:14
“Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho.”
Paulo afirma que o sustento financeiro daqueles que se dedicam integralmente ao ministério da pregação não é opcional, mas uma “ordem do Senhor”. Assim como os sacerdotes do AT viviam do Templo, os pregadores do NT devem viver do evangelho que proclamam. Veja o que Paulo diz sobre dízimos e ofertas.
20. Compartilhando com os que Ensinam
Gálatas 6:6
“E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui.”
Este versículo reforça a responsabilidade da congregação em sustentar materialmente seus mestres e pastores. Há, de fato, uma parceria (*koinonia*) espiritual e material entre quem ensina a Palavra e quem é abençoado por ela.
Mais Reflexões sobre a Atitude de Dar
Aprofundar nossa motivação é fundamental. Afinal, a atitude correta transforma o ato de dar.
21. A Bênção de Dar
Atos 20:35
“…recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.”
Jesus inverte a lógica do mundo. Enquanto o mundo busca a felicidade em acumular, Jesus ensina que a verdadeira felicidade (“bem-aventurança”) se encontra no ato de dar. A generosidade, portanto, liberta o doador.
22. A Oferta como Sacrifício Agradável
Filipenses 4:18
“…recebi de Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro de suavidade e sacrifício aceitável e aprazível a Deus.”
Paulo descreve a oferta financeira dos filipenses usando a linguagem dos sacrifícios do Antigo Testamento. Isso significa que, para Deus, nossa contribuição generosa é um ato de adoração, um “cheiro suave” que Lhe agrada profundamente.
23. O Perigo de Reter
Provérbios 11:24
“Ao que distribui mais se lhe acrescenta, e ao que retém mais do que é justo, é para a sua perda.”
Este provérbio apresenta um paradoxo divino: reter egoisticamente, na verdade, leva à pobreza (espiritual e, por vezes, material), enquanto a generosidade leva à abundância. A avareza, portanto, contradiz as leis do Reino.
24. O Dono de Tudo
Salmo 24:1
“Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam.”
Esta é a base da mordomia. Não somos donos; somos apenas administradores. Reconhecer que tudo já pertence a Deus (incluindo nosso dinheiro) deve, por conseguinte, mudar radicalmente nossa atitude em relação a “dar”. Estamos apenas gerenciando os recursos Dele.
25. O Perigo de Ananias e Safira
Atos 5:3-4
“Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo…? …Não mentiste aos homens, mas a Deus.”
A história trágica de Ananias e Safira não foi sobre *não* dar tudo; foi sobre a *mentira* e a hipocrisia. Eles queriam a reputação de generosidade sem o custo dela. Isso nos adverte, portanto, que Deus julga a integridade e a sinceridade do nosso coração ao ofertar.
26. Confiança na Provisão, Não na Riqueza
1 Timóteo 6:17
“Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos.”
Falar sobre dízimos e ofertas é, também, uma oportunidade para exortar contra a confiança no dinheiro. Nossa segurança não deve estar em quanto acumulamos, mas sim no Deus que provê abundantemente.
27. O Propósito da Abundância
2 Coríntios 9:8
“E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra;”
Por que Deus nos abençoa materialmente? Paulo responde: não é para acumularmos para nós mesmos, mas para que, tendo nossa suficiência, possamos “abundar em toda boa obra”. A bênção, portanto, é um canal, não um reservatório.
28. Cuidado com a Avareza
Lucas 12:15
“E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui.”
Jesus nos adverte que o valor da vida não se mede pelos bens. A avareza (o desejo de ter mais) é enganoso. A generosidade, por outro lado, é o antídoto que nos lembra onde está o verdadeiro valor da vida.
29. O Dízimo de Jacó
Gênesis 28:22
“…e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo.”
Assim como Abraão, Jacó também praticou o dízimo antes da Lei Mosaica. Isso ocorreu, aliás, em resposta a um encontro com Deus (Betel). Isso reforça o dízimo como um ato voluntário e relacional de gratidão e adoração a Deus pela Sua provisão e proteção.
30. O Dízimo no Salmo?
Embora a palavra “dízimo” não seja o foco principal dos Salmos, princípios de generosidade e reconhecimento da provisão de Deus permeiam o livro. Por exemplo, o Salmo 24:1 (“Do Senhor é a terra”) estabelece a base da mordomia. (Veja qual Salmo fala sobre dízimo, que explora mais essa conexão).
31. Semeando para o Espírito
Gálatas 6:8
“Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.”
Usar nossos recursos (como o dinheiro) para fins egoístas é “semear na carne”. Usá-los, contudo, para a glória de Deus e o avanço do Seu Reino (o que inclui a oferta) é “semear no Espírito”. Esta passagem, portanto, nos lembra que nossas escolhas financeiras têm consequências eternas.
32. O Tesouro no Céu
Mateus 6:19-20
“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem… Mas ajuntai tesouros no céu…”
Jesus nos chama a investir no que dura. O dinheiro gasto na terra é temporário. O dinheiro, por outro lado, investido na obra de Deus (através de ofertas generosas) é transferido para a eternidade, tornando-se um “tesouro no céu”. É a melhor aplicação financeira que existe.
33. A Fidelidade no Pouco
Lucas 16:10
“Quem é fiel no mínimo, também é fiel no muito; quem é injusto no mínimo, também é injusto no muito.”
Jesus ensina que a maneira como lidamos com o “mínimo” (dinheiro) revela como lidaremos com responsabilidades maiores (as verdadeiras riquezas espirituais). Portanto, nossa fidelidade nas ofertas e dízimos é um campo de treinamento para a fidelidade em todas as áreas da vida.
Conclusão
Em suma, falar sobre dízimos e ofertas é falar sobre o coração do Evangelho: graça, fé, gratidão e amor. Não é, de forma alguma, sobre uma obrigação legalista, mas sobre uma resposta alegre à graça de Deus. Ao usarmos estes versículos sobre dízimos e ofertas, o foco deve ser, portanto, inspirar a generosidade. Esta generosidade, aliás, brota de um coração transformado por Cristo. Afinal, como podemos reter, quando Ele nos deu tudo?
Que esta reflexão sobre ofertas e dízimos nos ajude a entender que cada palavra de oferta deve ser, acima de tudo, uma celebração da provisão de Deus e um investimento em Sua obra eterna.

